Na quarta-feira, 20 de agosto, as salas de aula das Escolas Municipais foram palco de um debate crucial sobre o futuro de muitos jovens e de suas famílias. Uma equipe multidisciplinar da assistência social visitou os alunos para uma roda de conversa franca e necessária sobre um tema que impacta diretamente suas vidas: a obrigatoriedade da frequência escolar como condição para o recebimento do Bolsa Família.
A ação foi liderada por Nivalúcia Bispo, Coordenadora do CAD Único e do Programa Bolsa Família, que esteve acompanhada por Geovana, Coordenadora do setor de inclusão, e pela advogada Taiane Francine, representante do CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social). Juntas, elas percorreram as unidades de ensino no período da manhã e da tarde.
O objetivo central do diálogo foi educativo e preventivo. Mais do que simplesmente alertar sobre o bloqueio do benefício, a iniciativa buscou conscientizar os estudantes sobre como a educação é a ferramenta mais poderosa para quebrar o ciclo da pobreza, sendo a frequência escolar o primeiro e mais importante passo nessa jornada.
“Não estamos aqui para ameaçar, mas para orientar. Cada falta injustificada é um sinal de alerta. Queremos que esses jovens entendam que o Bolsa Família é um apoio, mas que a verdadeira transformação vem do conhecimento adquirido aqui, na escola”, explicou Nivalúcia Bispo aos estudantes. Ela detalhou como o sistema monitora a presença e como as famílias são notificadas antes de qualquer medida mais drástica.
A advogada Taiane Francine reforçou a perspectiva legal e de direitos. “A perda do benefício é a última consequência de um longo processo de acompanhamento. O nosso papel, do CREAS, é justamente atuar antes que isso aconteça, oferecendo suporte à família, entendendo as dificuldades que levam à falta do aluno – seja vulnerabilidade social, trabalho infantil ou outras questões – e buscando soluções junto a eles. O direito à educação e à assistência social caminham juntos”.
Já Geovana, focada na inclusão, destacou a importância do ambiente escolar como um espaço de acolhimento e desenvolvimento. “A evasão escolar muitas vezes começa com a desconexão. O aluno se sente deslocado, não aprende e falta. Nossa missão é garantir que a escola esteja preparada para recebê-los, incluí-los de verdade e mostrar que este é o lugar deles”.
A conversa foi recebida com atenção pelos alunos, que puderam fazer perguntas e tirar dúvidas. Muitos não tinham plena dimensão de como suas faltas impactavam a renda familiar e se mostraram surpresos com a rede de apoio disponível.
Impacto na Comunidade
Ações como esta são consideradas fundamentais por gestores públicos para reduzir os índices de evasão escolar, um desafio histórico na educação brasileira. Ao traduzir as regras do programa de forma clara e humanizada, diretamente para o público-alvo, a Prefeitura espera fortalecer o vínculo dos jovens com a escola e, consequentemente, garantir a permanência deles nos estudos.
A iniciativa demonstra uma integração positiva entre as políticas de assistência social e educação, mostrando que o poder público está atento não apenas à distribuição do recurso financeiro, mas, sobretudo, ao cumprimento dos objetivos fundamentais do programa: combater a pobreza no curto prazo através do auxílio em dinheiro, e no longo prazo, através da garantia do acesso à educação.
A expectativa é que esse tipo de atividade seja expandido para outras escolas da rede, criando uma cultura de valorização da presença escolar e fortalecendo o compromisso entre alunos, famílias e o poder público.
Por Márcio Brito | Wandeko Web Rádio






